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As crianças institucionalizadas...

Tenho um vizinho que diariamente discute com a mãe com quem vive e constantemente a agride verbalmente e denota-se uma total falta de respeito.
Soube por outros vizinhos que tinha sido retirado anos antes à mãe, tinha sido institucionalizado e após a maioridade optou por regressar a casa( provavelmente o único cenário que se deparou).
Nota-se agressividade, revolta e as únicas formas de comunicação existentes caracterizam-se por berros, bater de portas e insultos um ao outro.
Existe uma revolta presente diariamente neste ambiente. Dorme de dia, ouve música aos berros à noite e recentemente julgo que encontrou um grupo de amigos que partilham com ele a mesma forma de viver. A transgressão das normas de convivência social, o desrespeito por todos os vizinhos levam-no a cometer loucuras: as chamadas de atenção, o desrespeito pelo convívio social.

Já lidei várias vezes com estas chamadas de atenção. Crianças revoltadas que se deparam com uma vida disfuncional e com consequências que nem foram elas que contribuíram para...
As crianças estão inseridas num tipo de vida sem saberem porquê. Vêm-se a ser despachadas daqui para ali, a verem adultos que emocionalmente não se relacionam e sinceramente acho que nunca mais o farão com mais alguém.

Desacreditam em todas as promessas que lhes fazem, em todas as perspectivas que lhe põe e procuram soluções autónomas; porque no meio disto tudo só se pode contar consigo mesmo.

Defendo no maior investimento possível nestas crianças . Talvez porque no fundo me sinta como uma delas...

A ilha dos meninos perdidos de Peter Pan retrata bem estes mesmos meninos perdidos que se cruzam diariamente com as nossas vidas. Basta estar atentos a eles...


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